quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Generalizando: Africanos

Como eu disse no post anterior, passei dos meses trabalhando em dois lugares, naquele meu segundo emprego além de brasileiros, alguns irlandeses e espanhóis haviam também muitos africanos e de vários países da africa, por isso esse post é uma generalização, injusta como toda generalização.

Quando eu conheço um brasileiro é normal que a gente se pergunte de onde é, há casos em que você acaba por descobrir que a pessoa é da mesma região que você, que o irmão dele estudou na mesma faculdade que o seu etc. Mas se você é negro(a)  e um africano vier falar com você ele virá com a certeza de que você também é da Africa, e a primeira pergunta que ele te fará - antes mesmo de um Hi, how are you - é where are you from? esperando como resposta o nome de algum país africano, óbvio, quando eu com cara azeda (depois da vigésima experiência)  respondia que era do Brasil enfrentava faces incrédulas e uma vez chegaram a me perguntar se eu tinha certeza. Olha, só respirando fundo antes de responder viu.

Então não contentes com minhas origens tupiniquins alguns dos meus à época colegas de trabalho começaram tentar investigar meu passado familiar, me pediram fotos da minha família, eu achei bonitinho, ainda não tinha caído a ficha do que eles queriam, conforme mostrava as fotos dos meus pais e das minhas avós perguntas repetidas várias vezes, de onde é sua avó, ela é da africa né. E eu muito simpática mas ao contrário, respondi que ninguém sabe quem das famílias é da Africa. 

Você brasileiro com origens, asiáticas e europeias pode até saber quem da sua família foi de navio pro Brasil, mas no caso dos negros essa é uma estrada que acaba sem na verdade chegar ao fim, não dá pra chegar no ancestral africano, agora nesse mundo moderno em que vivemos com rastreamentos através do DNA quem sabe um dia seja possível descobrir, mas com mais 300 anos de trafico de negros do continente mãe pro Brasil não acho que seja uma tarefa fácil, e sinceramente, não é importante pra mim saber. 

Outra característica essa referente ao homens especificamente, e que chegou a me assustar é a forma indiscreta com que eles se aproximam das mulheres. Quando eu finalmente e cheguei "de cabelo novo" eu quase tive que sair correndo um dos homens casados de lá passou as 3 horas de trabalho dele me pedindo meu telefone, primeiro como brincadeira, depois mais e mais até que eu percebi que não era brincadeira né, eu simpática que só, parei de falar com ele por 3 dias, ele nunca mais pediu meu número e até o dia em que saí de lá só falávamos o essencial.

Agora a respeito das mulheres, a invejinha rola solta hein minha gente. Eu tinha dito pra menina africana com a qual passava o tempo junto que iria mudar o cabelo, eu disse isso na quinta, quando consegui marcar horário, na sexta ela apareceu lá com um aplique, e na semana seguinte, quando meu cabelo diferente virou assunto ela fez mais algumas mudanças no dela. As africanos por aqui usam muito peruca, não sei por que, mas acho que é uma solução menos complicada e mais barata também, já no Brasil nós estamos pra lá de acostumados com processos químicos, que apesar de mais caros são mais duradouros né, e eu fui em um excelente cabeleireiro brasileiro, pelo que eu reparei os comentários dela, ela estava esperando eu lavar o cabelo e ele voltar a ser o que estava antes. No way baby, no way.

Além disso as pessoas com as quais eu trabalhei faziam de tudo pra passar o serviço pro outros e lógico ficar de papo pro ar jogando conversa fora.

Prefiro muito mais minhas raízes brasileiras viu.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

2 meses com 2 empregos

Pois é entre os dias 29/06 e 31/08 eu tive dois empregos, foi puxado, foi loucura, mas tive minhas recompensas.

Tenho uma amiga que gosta muito de detalhes, então em homenagem a ela vou tentar contar todos.

Tudo começou num domingo, dia 24/06, eu estava em uma festa junina e meu ex-housemante me ligou, dizendo que a atual housemate dele precisava de alguém pra substitui-la por um dia em uma café, tudo acertado, no dia seguinte fui lá e trabalhei três horinhas, peguei o dinheiro e fui pra casa. Nos dias seguintes consegui mais duas faxinas e comecei a ter esperanças, se conseguisse alguns extras de 3 horas por dia mais o meu salário no B&B já seria suficiente pra quem sabe até renovar o visto, ou fazer uma viagem das melhores, nessa época eu já tinha uma faxina extra além do meu trabalho. Pois bem, na quarta-feira da mesma semana ele me ligou novamente, dizendo que no lugar onde ele trabalhava estava precisando de pessoas pra começar o mais rápido possível, como eu trabalho apenas de manhã e essa vaga era pra trabalhar das 17h às 20h, me caiu como uma luva.

Na sexta-feira me encontrei com ele em frente ao Trinity College e ele me explicou algumas coisas enquanto esperávamos o ônibus pra UCD uma universidade aqui de Dublin, a vaga era pra trabalhar de Catering Assistant no restaurante de lá. E aí como foi a entrevista você me pergunta, não teve entrevista, essa é a beleza de ser indicado pra uma vaga, cheguei lá, preenchi um formulário com informações pessoais e dados bancários, me entregaram o uniforme e pediram pra uma pessoa me ajudar, me mostrar como era o trabalho.

Inicialmente era pra trabalhar um mês, quando esse mês foi acabando me pediram pra ir mais 2 semanas, e depois continuar indo. Até que dia 31/08  foi meu último dia, rolou até uma caixa de bombons na despedida.  Na verdade o restaurante está mudando de mão e a mudança começou no dia 03/09, eles ofereceram pra todos os funcionários mais algumas semanas de trabalho, pros mais novos mais 2 semanas e pros mais antigos 1 mês, mas eu tinha um visitante chegando no dia 03/09 e já tinha pedido folga do meu outro trabalho, então decidi não continuar. Sim, seria uma grana que faria diferença, sempre faz, por pouco que seja, mas eu senti que meu período lá já tinha se esgotado, já estava sem paciência e principalmente bem cansada.

O resultado desses tempo em que trabalhei mais que cavalo de padeiro é, renovarei meu visto, fico mais um tempo por aqui, não sei se será mais um ano completo, mas eu fico, para alegria do povo e felicidade da nação.

Meu agradecimento especial e sincero ao meu ex-housemante Rodrigo Sousa que lembrou que eu estava desesperada e precisando de trabalho e me indicou, se não tivesse conseguido esse trabalho por esse tempo não se se seria possível renovar o visto.