segunda-feira, 31 de março de 2014

Ainda bem que eu estava aqui...

Esse não é um post sobre como o Brasil está, e nem sobre um emprego de salário milionário, esse é um post sobre o curso da vida.

No último dia 23/03 minha avó materna faleceu, e em meio a tantos sentimentos conturbados uma coisa que não saia da minha cabeça era "ainda bem que eu estou aqui". Sim, por que eu não sei como seria se eu não estivesse. Ouvi muita gente que passou por perdas na família, como é difícil viver o luto longe de todos que realmente conheciam aquela pessoa que se foi, e eu, por mais duro que tenha sido esse momento, não queria estar em nenhum outro lugar.

O adoecimento dela foi rápido. Foram 10 dias no hospital, e até 2 dias antes do falecimento dela nós tínhamos certeza de que ela voltaria logo pra casa, já estava tudo sendo preparado pra isso. Foi um fim de semana que começou muito alegre, era o final de semana da formatura do meu irmão. Minha avó paterna veio com minhas tias e primas pra cá. Na noite de sábado nós fomos divididos entre alegria e preocupação pro baile, mesmo com ela no hospital, eu posso dizer por mim e pelo que eu sei de todos da minha família, ninguém esperava que ela fosse partir.

Quase no fim do baile, eu já tinha voltado com a minha  mãe e mais algumas pessoa pra van quando veio o telefonema, meu irmão saio do baile e assim que chegamos em casa ele foi correr atrás dos trâmites do enterro. Infelizmente foi tudo junto alegria e tristeza, a maior das tristezas. Passamos um domingo que não desejo a ninguém, principalmente por que nossos planos eram outros. Mas existe aquele velho ditado que diz "Ninguém morre de véspera" ou seja, a hora dela tinha chegado, e ela ainda nos deixou festejar antes de ir embora.

Ainda bem que eu estava aqui, ainda bem que eu pude passar mais 4 meses e meio com ela, sem que ela ficasse preocupada se eu tinha comido ou não, ou ficasse confusa com o fato de eu dividir casa "com estranhos", ainda bem eu eu estava perto de gente que me conhece e que a conhecia e que sabia e entendia o tamanho da minha dor, por ter conhecido quem eu estava perdendo.

Dona Durvalina ficou viúva ao trinta e poucos anos, acabou de criar os quatro filhos sozinha, segurou no colo quatro netos e dois bisnetos. Por mais dura que a vida tenha sido com ela, e por mais ranzinza que ela tenha sido com a vida, o caminho de cada um, uma hora chega ai fim, e o caminho dela não foi curto, ela merecia descansar.


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