quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quando bate a saudade...

Dias atrás, dando uma aula sobre direções e eventos culturais bateu uma saudade incontrolável de Dublin. Talvez por ter ouvido pessoas dando direções em inglês ou por ouvir sobre tantos eventos a preços de banana ou grátis, isso por que os tais eventos e as direções nem eram de verdade, mas isso me deixou deveras saudosa da ilha do chuvisco sem fim.

As coisas das quais eu mais sinto falta com certeza são: WiFi no ônibus, saber que horas o ônibus vai passar (teoricamente), taxi barato, poder escolher que tipo de restaurante eu quero comer hoje e saber que existem boas opções que não vão me deixar pobre pro resto do mês.

O cheiro quase intoxicante da Debenhams, comprar na Zara, comprar na Breska, comprar na New Look, Tesco, 3G que funciona, ouvir inglês na rua e outras muitas línguas, homens bonitos que me deixam apaixonada em todas as esquinas. Homens bonitos. Pubs, Smithwciks.



Ryanair. Aer Lingus. Morar numa “cidade grande” que não é estressante.

Comprar passagens baratas pra viajar pra outro país, e ainda ter a possibilidade de viajar pra outro país e gastar menos do que gasto onde moro por que a moeda de lá é menos valorizada.

É claro que as pessoas fazem muito mais falta acima de tudo, mas eu queria falar só de coisas dessa vez.


E pra quem insiste em perguntar se eu vou voltar pra Irlanda, a resposta de hoje é a mesma do mês passado e de ontem, NÃO. Pode ser que daqui há algum tempo ela mude, mas por enquanto essa é uma das certezas para os próximos meses.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

6 meses de Brasil

Nos últimos 3 posts falei um pouco de como tem sido essa volta ao Brasil.

Nesse post resolvi responder a pergunta que ouço quase diariamente: "Você não tem vontade de voltar pra irlanda?"ou "Você não sente saudades da Irlanda?"

A resposta pra essas perguntas é bem simples, sim e com certeza. Mas eu não sei quando quero volta, e saudade é administrável. Eu não digo e jamais direi que não voltaria a morar na Irlanda, mas eu com certeza não voltaria com um visto de estudante. Como eu disse em dos posts sobre o retorno, eu sou uma pessoa de ciclos, e meu ciclo intercambista na Irlanda acabou, pra mim acabou. Então pra voltar pra lá só com work permit ou se eu casar com alguém que vá morar/more lá.

Daí você pode vir me dizer que eu estou sendo muito extremista, estou mesmo. Eu adorei viver onde vivi, ter conhecido quem conheci, ter passado por todas as experiências que passei, mas eu preciso de novos ares e de mudanças pra continuar, e voltar pra Irlanda pra ter o mesmo que tinha antes não é algo que eu quero, eu poderia até voltar como estudante caso tivesse um objetivo maior envolvido, ou como estudante de mestrado com bolsa governamental.

Eu sinto falta principalmente da pessoas e dos lugares, toda vez que amigos postam fotos da galera, ou fazem chek-in em algum lugar que eu gostava de frequentar me dá um aperto no peito, na maioria das vezes eu curto a publicação pensando "aproveita por mim".

No dia do me embarque de volta pro Brasil eu escrevi e postei um texto que resume meus sentimentos no momento da despedida, e que continuam os mesmo 6 meses depois.




Foram 2 anos de muito frio, chuva, vento, pouca neve, um verão maravilhoso e amizades que vão durar pra vida toda.

Pois é Irlanda, nossa dança se interrompe agora. Como diz o poeta “O mundo é grande demais pra se nascer e morrer no mesmo lugar” e eu quero ver quão grande esse mundo é, mas antes eu quero aconchego do colo da mamãe, a comida do papai e do irmão, os abraços da sobrinha, as risadas com amigos de décadas.

Todo meu amor aos amigos que ficam na terrinha verde, e aos que estão espalhados pelo mundo. Se não fosse pela Irlanda eu não teria vocês.

Is time to go.

Te amo Irlanda!

“When I die Dublin will be written in my heart” that’s for sure.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Trilogia do Retorno: Emprego

A parte que todo mundo quer saber. Consegui um emprego que paga 10.000 dilmas por mês por apenas 30 horas de trabalho por semana? Sorry to disappoint you, but I did not.

Como eu voltei pro Brasil no começo de Novembro, toda vez que dizia pra alguém que tinha que atualizar o currículo e começar a procurar trabalho as pessoa soltavam a frase "Ah, mas agora você vai esperar passar as festas né?" Tudo bem que essa nunca foi minha real intenção, mas acabou que eu esperei. O máximo que fiz foi atualizar meu currículo no Vagas.com e me candidatar à algumas ofertas de emprego por lá, mas pra ser sincera eu estava atirando pra todos os lados. 

Não voltei pro Brasil ficada em conseguir emprego na minha área de formação ou na área que eu tinha experiência, eu bem que tentei me focar nisso, me imaginar trabalhando em uma empresa como executiva, fazendo contatos com cliente internacionais e....caí no sono. Eram ideias que não estavam me empolgando nem um pouco, e quando um ano acabou e o outro começou rolou um desespero. Daí eu resolvi aceitar a ajuda do meu eterno professor de inglês aqui do Brasil, Sandro, atualizei meu cv e o enviei cópias em inglês e em português e ele enviou pra muitos contatos.

No fim da mesma semana estava olhando o jornal da cidade pra verificar se tinha alguma oferta interessante e vi uma escola que precisava de professores. Escrevi um e-mail em inglês explicando que não tinha experiência em dar aulas, mas tinha acabado de voltar de um intercâmbio e que nunca tive muita dificuldade em repassar o que eu sei.

Recebi uma ligação na segunda, fiz a entrevista na terça e no mesmo dia recebi a resposta positiva. E é isso galera, agora eu, que já fiz tanta coisa nessa vida, sou professora de inglês.

E como tem sido? Wonderful. Sério, nos primeiros dias eu tive treinamentos com uma das outras professoras mais experientes e comecei com poucas aulas, nas primeiras aulas eu confesso que tremi na base, perdi o sono, passei todo o tempo livre que tinha tentando lembrar como eu aprendi isso e aquilo, mas com o passar das semanas consegui relaxar e começar a aproveitar o que estou fazendo.

Eu gosto de todas as pessoas com as quais trabalho, além de dar aulas, nós professores também temos algumas aulas de conversação toda semana, e é sempre tão enriquecedor. Eu, por ser nova, tenho treinamentos com outros professores, basicamente participo das aulas deles pra entender como eles ensinam, e tem sido muito bom pra mim.

Uma coisa que eu pensava muito nos últimos meses antes de voltar era que eu queria trabalhar em um lugar onde eu pudesse melhorar como pessoa, continuar a usar meu inglês, e que fosse um lugar descontraído, com gente bacana. As poucas vezes que voltei estressada pra casa nada tiveram a ver com os meus colegas de trabalho, e isso é outra coisa que me deixa feliz. Trabalhar com algo que eu gosto e com gente que, mesmo sem saber, me deixa pra cima, é melhor do que tudo que eu poderia querer.

Por isso vai aí um grande VALEU UNIVERSO, arrasou.